O interior do Algarve, tal como o resto do país, está cheio de casas em ruínas. Felizmente, e graças a muitos dos turistas que se apaixonaram pelo Algarve puro, algumas delas têm vindo a ser recuperadas mas, a maioria é demolida para dar lugar a novas casas, bem mais confortáveis. Infelizmente, perde-se muito da identidade desta bela região com todo este processo. As últimas fotos são de mais uma ruína que encontrei, com um daqueles pormenores que não se suspeitaria existir no seu interior.
A simplicidade, por um lado, e a dificuldade de outros tempos, por outro, estão bem presentes quando nos deparamos com o que resta destas casas. Poucas eram as que possuíam cisternas ou poços, e numa região onde metade do ano é seca, a água assumia quase um estatuto divino e desperdiçá-la era quase pecado.
Mesmo com estas condições tão duras, havia sempre espaço para um pequeno "alegrete" (canteiro de flores) onde eram plantadas flores mais exóticas, como o caso das açucenas (Lilium candidum) e que ainda hoje continuam a florir junto às ruínas. As açucenas dos fotos são da Catita e vieram de uma dessas ruínas.
Os bolbos desta planta começam a despontar com as primeiras chuvas no início do outono e a sua floração anunciava o início de uma longa e difícil época seca no Algarve.